sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O VOTO NULO É A SOLUÇÃO

Syro Cabral de Oliveira


O voto nulo é a melhor solução para dar um basta e uma resposta racional ao atual sistema eleitoral brasileiro.

Eleger um candidato a um cargo político para, depois de eleito, agir contra os interesses do eleitor, no mínimo, é fazer de você, caro eleitor, um grande otário.

Todos os candidatos a cargos políticos, sem exceção, no Brasil, depois de eleitos, ao chegarem ao poder, se articulam entre si, independentemente de partidos, e agem contra você, caro eleitor. Fique atento e não espere, na inércia, tudo acontecer.

O PT, quando se encontrava no poder,
estava se articulando com os diversos partidos políticos e fazendo promessa de ratear os ganhos que ia obter, através da aprovação da CPMF, como se tratasse, simplesmente, de um cerco para apanhar cobiçadas caças ou cobiçados animais bravios, soltos nas selvas ou nas grandes pradarias, e dividi-los de modo proporcional.

No congresso nacional, os parlamentares aprovaram uma lei obrigando nas rodovias, sob pena de multa pelo não cumprimento, o uso dos faróis dos veículos automotores acesos durante o dia, simplesmente, com a finalidade de arrecadar mais dinheiro para os cofres do Estado. Agora mesmo, o governo atual editou uma Medida Provisória, alterando totalmente a grade curricular do Ensino Médio, sem sequer consultar a população. Tudo isso são pequenos exemplos de medidas arbitrárias contra a vontade, muitas vezes, dos eleitores, contrariando inteiramente todos os princípios da democracia. Infelizmente, a democracia aqui no Brasil só existe para o eleitor votar, uma vez o candidato eleito, faz o que quer em prol de sua própria vontade e do grupo, o qual ele se identifica.

Se de um lado, eles se unem, mesmo na condição de adversários políticos, de um outro lado, o povo, totalmente impotente, paga pelos roubos e a má administração da coisa pública.

Uma vez seus chamados representantes eleitos, lá
no poder, tratam você, caro eleitor, simplesmente, como presa fácil e indefesa, sujeita ao ataque das aves de rapina a qualquer momento e ao seu bel-prazer. Negociam entre si, fazem barganhas e contas, mostram quanto vai tocar para cada esfera da administração pública – federal, estadual e municipal –, tendo por base, antecipadamente, os ganhos que podem obter, através da aprovação de determinados impostos ou com a supressão de prestação de alguns serviços à sociedade. Assim, caro eleitor, o pagamento da CPMF, uma vez aprovada, de multas de trânsito e de outros impostos arbitrários, é você que fará, direto ou indiretamente, com o seu minguado dinheirinho suado.

No momento em que queriam aprovar a CPMF, t
entaram argumentar de que se tratava apenas de uma penalidade para os ricos.

MENTIRA. Mentira descarada.

Quem paga são os pobres, pessoas como você, caro eleitor.

Os ricos possuem meios para driblar o sistema bancário. Fazem pagamentos diretamente aos fornecedores, elevam os preços dos seus produtos para compensar a cobrança de impostos, de multas de trânsito, de reserva de dinheiro destinado a pagamento de propina para agilitar andamento de processos nos órgãos públicos, entre outras coisas, ao passo que você, caro eleitor, não tem saída alguma, pois todos os seus parcos rendimentos financeiros passam, obrigatoriamente, pelo banco e, além disso, paga mais caro pelos produtos consumidos e pelo uso dos transportes coletivos.

Conscientize-se, caro eleitor, de tudo isso e perceba que eles, depois de eleitos, se unem, no poder, contra você, caro eleitor. Eles são o seu VERDADEIRO inimigo. Pense nisso e aja logo.

Estamos à
s vésperas das eleições para os municípios. VOTO NULO NELES1.



1 Pode ser que haja alguém que queira nos objetar, afirmando que a lei eleitoral atual não prevê o voto nulo. A essas pessoas, responderemos: Nenhuma lei não pode estar acima da vontade dos homens. Se as pessoas conscientizarem-se – entenda-se, o eleitor –, e 80% dos eleitores anularem os seus votos, só restam 20% de votos válidos para serem distribuídos entre os candidatos. Nesse sentido, o candidato eleito perde totalmente sua credibilidade. Nem precisamos de  ir muito longe. Basta atentarmos para o caso da ex-presidente Dilma Rousseff, que teve um pouco mais de 50% dos votos válidos, mas somente de uma parte do país. Por conta disso, sofreu duras consequências. Além do mais, a proposta do voto nulo não é nada mais do que uma forma, inteligente, de protesto.



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A BUSCA DA LIBERDADE E A FUGA DO REGIME DE ESCRAVIDÃO DAS IDEIAS DOUTRINADORAS

Syro Cabral de Oliveira


Um dos grandes problemas que afetam o ser humano é, justamente, o princípio de doutrinação. Todo sistema que implica um certo fanatismo, crença ou fé não deixa de ser um sistema doutrinador. Nesse sentido, não conseguimos fazer a menor distinção entre política partidária, ciência e religião propriamente dita. Para nós, tudo isso, de um certo modo, é uma espécie de religião. Mencionamos religião aqui em seu sentido lato, ou seja, tudo aquilo que implica fé ou crença e que impede as pessoas enxergarem novos horizontes. Nesse sentido, os cientistas são tão religiosos quanto aos que se declaram convictamente religiosos. Por isso, optamos sempre pela liberdade, sobretudo, a liberdade de pensamento, pois, liberdade só existe, de fato, no âmbito do pensamento. Quando esse é cerceado, entra em seu lugar o regime de escravidão.


Pois bem, os filósofos, de um modo geral, possuem três características bem acentuadas e definidas: senso de humor, irreverência e ironia. Pode ser que uma dessas características sobressaia mais nesse ou naquele filósofo, mas todas elas são próprias dos filósofos. O senso de humor, a irreverência e a ironia são armas poderosas na transmissão da sabedoria, porque, essas atitudes têm por função despertar as pessoas de seu “sono dogmático”. Sócrates foi um grande exemplo de filósofo irônico; Diógenes, o filósofo das ruas, foi um exemplo típico de filósofo irreverente.


Assim sendo, podemos inferir que as pessoas que não carregam em si nenhum tipo de preconceito ou qualquer tipo de ideia preconcebida percebem, de imediato, que o mundo é constituído de horizontes inteiramente abertos e que o homem, em face desses horizontes, deve se comportar como um verdadeiro navegador, que está sempre singrando as águas da imensidão dos oceanos.


Logo, confrontar ideias é uma peculiaridade dos grandes homens, dos magnânimos, e, em virtude disso, percebemos que aprendemos não com árvores, madeiras, pedras, mas com outras pessoas. As outras pessoas, para nós, são como espelho. Conseguimos nos ver e, também, nos conscientizar de nossos erros a partir do momento em que estes últimos sejam-nos apontados. Se nós nos isolarmos e trincafiarmos unicamente em nossas pseudas verdades ou não permitirmos que as outras pessoas nos critiquem, vamos nos permanecer, a vida inteira, fechados em nosso mundinho, o qual não vai passar de uma verdadeira caverna. Isto por que, a discussão e o confronto das ideias são coisas pertinentes ao homem, pois é da natureza humana o embate de ideias. Mas, ao debater ideias, devemos atacá-las somente e não o seu autor. Quando isso acontece, ou seja, o ataque sair do âmbito das ideias e passar a visar o autor das mesmas e não o das ideias em si mesmas, a discussão cai, certamente, em um inteiro vazio. Normalmente, quando uma pessoa carece de bons argumentos, ela passa a atacar o autor da ideia e não propriamente a ideia em questão. E, em casos extremos, recorre até a força física. É o que chamamos, com toda convicção, de argumento ad hominem.


Mas, para que o homem possa realizar a sua essência em toda a sua inteireza e, consequentemente, elevar-se totalmente à primazia do seu poder de comunicação e de dialogação aos extremos, dever-se-ia privilegiar, acima de tudo, um real modelo de educação, que tivesse por objetivo último a sua inteira formação, isenta de quaisquer ideias arbitrárias e doutrinadoras. Construir uma Escola que mire a formação do ser humano em si mesmo e em toda sua plenitude seria, sem sombra de dúvida, reconhecer o homem na sua mais alta pureza e valorizá-lo como um ser distinto de todos os outros seres do globo terrestre.


Ora, uma educação de verdade não deve estar, em hipótese alguma, vinculada ou a serviço de qualquer tipo de partido político ou a qualquer outro tipo de partido que seja, religião, cor, raça ou sexo.


Uma educação de verdade tem por objetivo libertar o ser humano de todas as possíveis amarras que possam servir-lhe de entrave na vida.

Uma e
ducação de verdade tem por objetivo tornar o ser humano autônomo, senhor de seus próprios atos.

Uma e
ducação de verdade não quer, em hipótese alguma, tonar o homem um ser doutrinado, atrelado a um conjunto de ideias pré-elaboradas.


Uma educação de verdade quer um ser humano de mente aberta, pronto para entender e conceber novas ideias.


Como palavras derradeiras, não poderíamos deixar de afirmar que o marxismo, junto com os seus seguidores, foi e ainda é, infelizmente, responsável pelo princípio do atraso de grande parte da população mundial. E para tal, podemos concluir, ainda, também, com toda precisão – para que tudo fique muito claro –, que o marxismo não deixa de ser uma espécie de religião muito bem-sucedida entre os intelectuais. Se a religião é o ópio do povo, como afirmou o próprio Karl Marx, o marxismo é o ópio dos intelectuais, como diz, acertadamente, Raymond Aron.

domingo, 11 de setembro de 2016

PSEUDO PRINCÍPIO DE AUTORIDADE E COMPLEXO DE ROTULAÇÃO

Syro Cabral de Oliveira

Ainda não sabemos, até hoje, a razão pela qual muitas pessoas conseguem absorver, com tanta facilidade, determinadas opiniões como absolutamente verdadeiras e universalmente válidas – sem sequer procurar verificar sua consistência em si mesma –, somente pelo fato de que alguém, que se colocou na qualidade de filósofo ou cientista, em um determinado momento da história da humanidade, ter tido exposto tais opiniões.

Ouvimos, por exemplo, algumas pessoas rotular outras que assumem, claramente, uma posição firme e consciente a favor de um determinado sistema ou, mais precisamente, do modo de produção capitalista, de “capitalista sem capital”, de “direitista” ou “conservador”, tal qual fosse condição essencial é ter capital para se se simpatizar com o modelo de produção capitalista.

O fato de alguém ter dito, em um determinado momento da história da humanidade, que capitalista é quem detém o capital, só pelo fato de, simplesmente, ter dito isto, não configura essencialmente, em hipótese alguma, uma verdade universalmente válida.

Ora, quem assim procede, faz certamente uma verdadeira confusão entre os verbos “ser” e “ter”. Ser capitalista não configura, por si só, ter capital, mas simplesmente passa-nos a ideia de que alguém se identifica com um certo modelo de produção que prima pela liberdade do homem, que valoriza o trabalho, a produtividade, o mérito, o desenvolvimento, a grandeza do ser humano, em uma única palavra, o aristocrata, obviamente, em seu sentido rigoroso, o homem bom, o nobre, o virtuoso, o magnânimo, quer dizer: o homem de alma grande, ou seja, aquele que se opõe, sem se titubear, ao homem humilde.

Assim, do mesmo modo que “ser flamenguista”, “ser vascaíno”, “ser fluminense”, “ser botafoguense”, não quer dizer que é ter o Flamengo, ter o Vasco, ter o Fluminense, ter o Botafogo; ser capitalista também não quer dizer, unicamente, em hipótese alguma, também, ter o capital, mas sim se identificar ou se simpatizar com esses times de futebol e, rigorosamente falando, com modo de produção capitalista, respectivamente.


Desse modo, estamos absolutamente certos de que as próprias pessoas, que se deixam levar, facilmente, por verdades arbitrárias, concordam, ainda assim, plenamente com essas últimas afirmações.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O PRIMADO DE UMA EDUCAÇÃO POLÍTICA

 Syro Cabral de Oliveira

Em um país, cujo povo, em que sua maioria esmagadora, não consegue distinguir, com clareza, uma forma de governo de um modo de produção, não possui, infelizmente, a menor condição de escolher os seus governantes. Esse povo, na realidade, é sempre governado por uma forma de opressão disfarçada. Vive, simplesmente, uma ditadura sem que dela tenha plena consciência. Sua liberdade se resume a apenas em determinados períodos, ou seja, nos períodos de eleições, momento em que ele se encontra inteiramente livre para escolher os seus representantes. Uma vez estes escolhidos, tal povo volta logo para o seu estado anterior, sem qualquer direito de tirá-los do poder, mesmo que, na prática, esses tais representantes eleitos não venham cumprir com que prometeram em campanha.

Infelizmente, depois de eleitos, esses homens, denominados de seus representantes, se assenhoram do poder como se este se tornasse a sua verdadeira propriedade. Governam os municípios, os estados da federação e o país inteiro de acordo com o seu bel-prazer e sua vontade pessoal, sem dar qualquer satisfação aos seus eleitores. De período em período, cada grupo que chega ao poder, governa à sua maneira, sem necessidade de seguir um princípio norteador do supremo ideal do país.

No Congresso Nacional elaboram leis em prol de determinados grupos e em conveniência com os seus próprios interesses e as promulgam, sem que os seus eleitores ao menos sejam ouvidos.

Diante de suas ações, o povo se comporta como simples espectadores em uma plateia, só assistindo aos atores decidindo por ele. Mesmo que as decisões não sejam do seu agrado, é obrigado a concordar, pois nada pode fazer. Tal modo de agir é absolutamente estranho a uma verdadeira democracia, visto que, nessa referida forma de governo, toda decisão deve emanar diretamente do povo.

Assim sendo, nas atuais democracias, o cenário é de uma grande e lastimável decepção, pois as pessoas do povo veem-se completamente impotentes e despidas de suas próprias vontades em face das decisões que têm por objetivo nortear a vida coletiva. O povo se sente inteiramente à parte e alheio em relação aos afazeres públicos, a ponto de se referir aos homens que se encontram no poder simplesmente pelo termo “eles”. Assim, se ouvem, no dia a dia, quando está a se referir aos governantes: “São eles que decidem”, “São eles que fazem”, “Eles que são responsáveis por isso”, “Isso é com eles”, “São eles que devem resolver” etc., como se houvesse, na prática, um Estado à parte, o que é absolutamente contrário a um Estado bem governado. "Quanto melhor estiver o Estado constituído, tanto mais os negócios públicos prevalecerão sobre os particulares no espírito dos cidadãos. Chega mesmo a haver muito menor número de negócios privados, porque a soma de felicidade comum fornece maior porção à felicidade de cada indivíduo, de modo que menos lhe resta a procurar em suas ocupações particulares. Numa cidade, bem dirigida, todos votam nas assembleias; sob um mau governo, ninguém aprecia dar um passo para isso fazer, porque ninguém se toma de interesse pelo que se faz, prevendo que a vontade geral não prevalecerá, e porque, enfim, os cuidados particulares tudo absorvem. As boas leis permitem que se façam outras melhores; as más conduzem às piores. Tão logo diga alguém, referindo-se aos assuntos do Estado, que me importo? pode-se ter a certeza de que o Estado está perdido.

0 entibiamento do amor à pátria, a atividade do interesse privado, a imensidade dos Estados, as conquistas, os abusos do governo, fizeram imaginar a criação de deputados ou representantes do povo nas assembleias da nação. E a isso que, em certos países, se ousa chamar de terceiro estado. Assim, o interesse particular de duas ordens é posto no primeiro e no segundo plano; o interesse público é relegado ao terceiro", afirma Jean-Jacques Rousseau em O Contrato social.
Renan Calheiros vota contra a inelegibilidade de Dilma Rousseff

Qualquer pessoa, ao assistir, com toda a atenção, a uma seção do Congresso Nacional, com o propósito de se decidir acerca dos assuntos relativos aos interesses coletivos, sente-se inteiramente indignada e enojada ao ver um pequeno grupo de homens – ou mesmo, um único homem  aprovando ou rejeitando, de acordo com as suas próprias conveniências, assuntos que dizem respeito a vida coletiva do país e que jamais poderiam ser resolvidos apenas por um determinado grupo de pessoas que se diz representar a vontade da nação inteira. Neste contexto, faz-se necessária, urgentemente, no país, uma educação política, inteiramente desassociada de princípios ideológicos, que leve, cada cidadão, a ter plena e inteira consciência da sua importância e de seu papel nas decisões coletivas.

Enquanto se toma uma grande parte do tempo dos alunos das escolas de ensino médio com uma série de disciplinas que são absolutamente inúteis para o seu dia a dia, dever-se-ia direcionar o foco desta fase de ensino para uma real formação do ser humano como um todo. Neste aspecto, dever-se-ia, então, centrar, sobretudo, em disciplinas que têm por objetivo último o desenvolvimento do homem como um ser pensante e consciente de seu próprio dever e de sua responsabilidade, não só no que se diz respeito ao seu progresso pessoal e ao do seu país, mas também no que se refere ao seu próprio atraso e, igualmente, ao de seu país.


Dever-se-ia fazer com que, além disso, o homem se conscientize de que as questões relativas ao bem e ao mal não advêm do seu exterior, mas do seu próprio interior e que ele compreenda, também, que a sua felicidade depende, exclusivamente, de suas próprias ações. Logo, uma boa educação teria que, acima de tudo, primar por objetivos que não só tornem o homem um ser completamente responsável pelos seus atos e pelo que acontece ao seu redor, mas também um ser que se torne inteiramente capaz de contribuir para mudar ou alterar o curso de todos os acontecimentos que dizem respeito à sua própria vida e à da vida coletiva.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

UMA QUESTÃO DE CONVENIÊNCIA



Syro Cabral de Oliveira

Ao fazermos uma leitura, ainda que rápida, do artigo "A Educação de Jovens e Adultos no Brasil: políticas e práticas", de Érica Cruz, Márcia Ribeiro Gonçalves e Munich Ribeiro de Oliveira, publicado na Plataforma do Cecierj, o que nos chamou atenção, no referido texto, foi, sobretudo, a maneira ingênua de abordar questões tão sérias.

Não se trate de desinteresse, como afirma o texto, com a educação, mas sim de interesse absolutamente consciente de se tratar a educação, aqui no Brasil – não vamos incluir países exteriores, porque não conhecemos sua realidade –, da forma que se tratou no passado e tal como se trata hoje em dia. Já se afirmou, muitas vezes, que é preferível que se mantenha a criança ou o adolescente na escola, mesmo se ela ou ele não esteja aprendendo nada – e desse modo ela ou ele deve obter notas, sem que de fato nada produza –, pois o fato de ela ou de ele estar na escola não estaria praticando delitos na rua, justifica. Já se disse, também, que o trabalhador não deve ter muito tempo livre, se não ele comete crimes ou destrói a natureza.

Essas são as ideias das classes dominantes, não importa se elas são praticadas nos meios de produção capitalista ou socialista, há sempre um olhar de cima para baixo. Ou há, simplesmente, uma classe pobre e outra rica, logo esta última é tida como possuidora de “plena consciência” de toda a produção; ou há um grupo grande, mas simplesmente dominado e outro menor, mas, este último, também, “cônscio” de toda a realidade de poder, exercendo o papel de dominador. Esta é a lógica da relação entre poder e não poder. É, infelizmente, o jogo da natureza, queira sim queira não, seja uma segunda natureza (um hábito), seja uma natureza de fato.

O artigo em referência afirma, ainda, que houve um tempo, no Brasil, por volta da década de 40, que não havia grande interesse em educar a classe trabalhadora, sobretudo, quando se refere aos trabalhadores rurais. Ora, diríamos que não houve e também não há nenhum interesse, atualmente, em educá-la, no sentido de tornar o homem melhor em si, pois todo processo de educação se dá em absoluta conveniência com os interesses do momento. Pensar que a abolição da “escravidão” e a “emancipação” das mulheres foram grandes conquistas é tão tolo quanto pensar que quando se investe em educação de jovens e adultos, hoje em dia, tem, por finalidade última, conscientizar essas pessoas.

Sabe-se que a abolição da escravidão e a emancipação das mulheres se deram em conformidade com os interesses, com as conveniências do senhor e do mercado de trabalho naquele momento. No primeiro caso, os escravos tornaram-se muito caros aos senhores, porque, naquela época, o escravo era um bem do senhor e como tal poderia ser negociado livremente no mercado, logo o senhor deveria zelar por ele, dando-lhe uma alimentação adequada, moradia, vestimenta e remédio, ao passo que “libertando”-o não mais teria essa obrigação, bastando pagar um salário fixo e caso fique doente, despensa-o, sem maiores custos. No caso das mulheres, uma vez elas “conquistando” sua "liberdade", concorrem livremente no mercado de trabalho com os demais trabalhadores, empurrando assim o valor dos salários para baixo.

Assim, também, pode se pensar que se há ou se houve um interesse em investir no processo de educação dos jovens e adultos, esse interesse não se deu e nem se dá no sentido de melhorar o homem em si, mas em conveniência com as regras do mercado capitalista. É sabido de todos que no passado não se usavam máquinas no campo, pelo menos em grande escala, pois as atividades eram todas ou quase todas braçais, logo não se tinha necessidade de uma pessoa com nível de instrução mais elevado. Nas zonas urbanas, as fábricas eram poucas e de pequenos portes. Assim, de um período para cá, tanto no campo, como também, nas zonas urbanas, ampliou-se assustadoramente o uso de máquinas tanto nas grandes como nas pequenas empresas. Um trabalhador que não tenha o mínimo de instrução dá mais prejuízo às empresas que lucro, uma vez não ter condição de explorar o máximo do potencial das máquinas e, além disso, causa grandes danos aos equipamentos. Sem mencionar, também, que o mercado consumidor atual precisa de consumidores que tenham um mínimo de instrução. Por isso que nos países subdesenvolvidos – ignoramos totalmente a realidade dos desenvolvidos –, no que tange à educação, não há o menor interesse em incluir, em suas grades curriculares, disciplinas tais como filosofia e os estudos clássicos: grego e latim, pois esses países não necessitam de seres pensantes, mas de pessoas que satisfaçam o mercado de consumo.

Para concluir, perguntaríamos: será que uma pessoa, sem nenhuma instrução, teria condição de consumir um Smartphone, um Notebook, um Tablet, um Celular etc., atualmente!?

domingo, 10 de agosto de 2014

PARA REFLETIR

  Syro Cabral de Oliveira

Quantificar uma aula é realmente uma situação muito difícil. Se imaginarmos que podemos pensar o tempo de duas maneiras: um tempo quantitativo e um outro qualitativo (cronos e kairós), vamos chegar à clara conclusão de que quantificar uma aula é uma tarefa totalmente estranha a uma proposta de um processo educativo sério; a menos que não se diferencie educação de um processo de produção econômica. No âmbito do processo educativo, o tempo considerado é o kairós, isto é, o chamado tempo oportuno, o momento certo. Embora poder-se-ia pensar no cronos, um tempo quantitativo, mas apenas para não ultrapassar um determinado espaço de tempo que deve ser administrado entre um horário e outro.

E, se de um lado – no que se refere ao esforço de levar o aluno a modificar o seu modo de pensar e abrir a sua mente para novos horizontes –, não podemos pensar em tempo apenas quantitativo, porque, nem sempre o tempo previsto para uma aula corresponde de fato à experiência de sala de aula; e, de um outro lado, um determinado conteúdo programático pode ser transmitido por um professor a uma turma e entendido por todos alunos em um tempo quantitativo muito menor em relação a um outro professor que sequer não consegue fazer um único aluno entendê-lo.

Parece-nos que um bom professor não é aquele que segue um tempo matemático, mas aquele que tira proveito das oportunidades que lhe aparecem nas circunstâncias de suas aulas. Desse modo, todas suas aulas seriam singulares, visto que elas seguiriam as circunstâncias apropriadas oferecidas pelos seus alunos em turmas diferentes.

Além disso, seguir um projeto faz-se necessário, mas com uma certa parcimônia. A obsessão por projeto é um grande risco e pode levar a sérios problemas, sobretudo quando se trata de educação. As economias planificadas , tais como as da antiga Rússia e da velha China – para não falar na remanente Cuba – não passaram de um fiasco e de um grande fracasso, serviram apenas para mostrar que o abuso de projetos é muito danoso. E de quebra, poderíamos também citar toda a América latina, que não se decide claramente a que meio de produção seguir – cujo modelo de educação é muito mais um esquema doutrinador do que de fato educador, a exemplo dos países já mencionados. Quando, na realidade, o verdadeiro papel da escola seria o de fazer com que os seus alunos tornassem indivíduos resolutos, independentes e senhores de si, que pudessem fazer as suas próprias escolhas e não se deixarem levar por propagandas ideológicas.

De tempo em tempo, surgem ideias enquadradoras, que tem por objetivo apenas de modelar docentes, com planos disso e daquilo, sem que resultem em dados realmente convincentes. Há professores que se envaidecem e tentam exibir uma sapiência sem par de todos esses modelos e projetos mirabolantes, mas quando entram em sala de aula são um verdadeiro fracasso. São exatamente como alguns dos nossos teóricos, que falam com desenvoltura acerca das normas morais e coisas do gênero e as ensinam com toda pompa, mas agem, no seu dia a dia, exatamente ao contrário em relação ao que dizem.

É preciso de fato que se invista urgente em um modelo de ensino que não só tenha por finalidade última coadunar um agir efetivo com um pensamento reflexivo e realmente produtivo, do lado dos educadores, mas também de fazer com que os educandos conscientizem-se de seu verdadeiro papel no processo de educação, ou seja, o dos seus deveres e da sua responsabilidade. Só através de uma conscientização mútua é que podemos colher bons frutos. Fora disso, todo esforço será em vão.

Se não seguirmos esse caminho e apenas tentarmos atrair alunos para a escola, sem um critério bem definido, correremos o sério risco de cairmos na situação daquele professor que pôs um grupo de alunos em sala de aula e lhe pediu que observasse durante um tempo estipulado. Transcorrido o tempo, o professor perguntou ao grupo o que havia observado. Alguns alunos deram respostas contraditórias e desconcertantes, outros disseram qualquer coisa para não dizer nada e outros ainda disseram – os mais corajosos – que nada haviam observado, pois não foi dito o que deveria ser observado. O nosso ilustre professor, infelizmente, só não sabia que ele deveria direcionar o grupo para um ponto bem definido, o qual deveria ser observado.

Sem meta, sem ponto a atingir, sem deveres e sem responsabilidade nenhum ser humano, por mais capaz que seja, não alcança nenhum êxito.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

SENTIMENTO DE IMORTALIDADE DA ALMA

Syro Cabral de Oliveira
O medo, o pavor, a insegurança e todos os sentimentos desse mesmo gênero são, na maior partes das vezes, produtos da ignorância humana. Embora os sentimentos humanos, em sua maioria, se dão em virtude de nossos valores culturais, mas, mesmo assim, alguns são naturais e logo universais no tocante aos seres humanos globalmente. Chamamos de naturais todos os eventos que acontecem frequentemente do mesmo modo, o que nos permite, naturalmente, fazermos previsões. Assim, todas as ciências experimentais são o que são em virtude da repetição dos fenômenos naturais.
Os seres que sofrem mudanças por si mesmos se encontram na categoria dos seres naturais. Assim, a criança que se torna adulto ou a semente que se torna árvore sofreu uma mudança ou um movimento de uma categoria a outra. Esse tipo de movimento, chamamos de movimento intrínseco ao ser, ou seja, trata-se de um movimento natural, pois não há necessidade de nenhuma força exterior ao próprio ser; ao passo que, quando se transforma uma madeira em uma mesa, também houve um movimento, ou seja, a passagem da madeira à mesa. Nesse caso, trata-se de um movimento artificial, isto é, extrínseco ao ser ou à coisa. Em outras palavras, os movimentos ou as mudanças naturais são inerentes aos próprios seres ou às próprias coisas, ao passo que os movimentos ou as mudanças artificiais são exteriores aos próprios seres ou às coisas.
Voltando à questão dos sentimentos humanos, podemos notar que mesmo entre as pessoas ateias há uma manifestação evidente pela aceitação da imortalidade da alma. Não há nenhuma contradição entre seu comportamento e as suas convicções, como algumas pessoas poderiam pensar. Isto por que, a imortalidade da alma e a existência de Deus são duas coisas absolutamente distintas. Uma coisa não implica outra por mais que a crença comum procure sustentar. O sentimento de imortalidade da alma é um sentimento natural e logo comum a todos os seres humanos, independente de suas convicções pessoais. Povos de diferentes culturas e que nunca tiveram contatos entre si manifestam-se naturalmente em direção desse tipo de sentimento, ou seja, de que a alma é imortal. Já a crença na existência de um ser superior e transcendente é uma invenção humana, com o puro propósito de alguns homens se valerem dessa ideia e, consequentemente, se achar no direito de dominar outros homens em consequência da ignorância dos últimos1.
Assim, podemos observar que, diante dos fenômenos naturais, há também uma tendência natural entre os seres humanos em segui-los inconscientemente. Podemos pensar em dois meios de produção: o capitalismo e o socialismo. O último, como se nota, é um modo de produção artificial, elaborado ideologicamente por alguns homens, com a intenção de submetê-lo à humanidade, ao passo que o primeiro surgiu espontaneamente, entre os homens, sem nenhuma regra preestabelecida. Vemos que mesmo entre as sociedades socialistas, em seus momentos difíceis, estas recorrem as regras do capitalismo, na tentativa de impedir que sua máquina governamental perca o rumo e consiga sobreviver às grandes turbulências e às crises periódicas. Do mesmo modo, notamos também que entre as diversas convicções religiosas, os seres humanos, em seus momentos difíceis, deixam seus sentimentos ligados à imortalidade da alma se externarem com toda força. Isso se dá porque é impossível as pessoas se manterem artificialmente o tempo todo. O inconsciente humano, ou seja, essa estrutura que é produto de um sentimento puramente instintivo e próprio de um determinado gênero animal, tende naturalmente a seguir tudo aquilo que não seja elaborado artificialmente.
Fabiano Costa, em seu livro Contos de Medo e outras histórias de pavores e assombrações, Litteris Editora, soube explorar e retratar, com toda propriedade, esses sentimentos humanos velados em algumas pessoas, mas muito manifestos em outras. Costa faz um passeio pelos bairros da capital carioca, narrando episódios arrepiantes e assustadores, cheio de acontecimentos trágicos. Com a sua habilidade inacreditável de fazer esses tipos de narrativa, traz à tona imaginações adormecidas no âmago de nosso inconsciente e mexe com o grande desejo de mistérios, que é próprio do gênero humano. Isto por que, nos momentos de aflição ou angústia, o ser humano tende, naturalmente, a deixar sua imaginação aflorar, com toda intensidade. Sua mente passa a viajar e buscar soluções ou explicações para os seus problemas através do chamado mundo sobrenatural. Para algumas pessoas, esse tipo comportamento é tido como uma pura invenção ou algo artificial, mas para alguns filósofos, não há nada de inventivo ou artificial nesse tipo de comportamento, pois, segundo eles, tudo que o homem predica é, justamente, uma consequência de uma realidade que sempre existiu. Assim, observamos que Costa, conscientemente ou não, procura explorar esse sentimento da imortalidade da alma, o qual é absolutamente próprio e natural do gênero humano. Ele narra as nossas fantasias que, no fundo, em hipótese alguma, são destituídas de realidade. Tudo que imaginamos é um produto de uma realidade perdida ao longo de nossas vidas passadas. O que Costa narra não é nada mais do que uma rememoração de um passado longínquo, vivido por ele, sem que o tenha plena consciência desse mundo vivido em uma época perdida ou apagada, em virtude da decadência humana. O afastamento do homem das coisas divinas fez com que ele atualmente viva temeroso, assustado e inseguro em relação a algo que ele não pode explicar à luz de um olho corporal. Não pode explicar porque a nossa mente está inteiramente vinculada às coisas divinas, isto é, aos objetos não materiais, sem que o homem mundano atual tenha plena consciência desse fato. Assim, para que não haja nenhum mal entendido, vamos deixar claro que a divindade é entendida aqui, sobretudo, pelos espíritos mais elevados, como a pura inteligência, o puro raciocínio, numa palavra, a pura imaterialidade. Sempre que nos encontramos em aflição procuramos, naturalmente, uma resposta para os nossos conflitos por meio de um dito mundo de fantasia ou um mundo de imaginação que, para algumas pessoas, não existe. Se desenvolvermos ao máximo o nosso lado divino, tornar-nos-emos totalmente livres dessas angústias ou aflições que, vez por outras, se apoderam de nossas mentes.
Os contos e as narrativas de Costa são, na realidade, um verdadeiro alimento para as nossas almas, na medida em que nos fazem relaxar e muitas vezes vingar desafios e certas provocações advindos de algumas pessoas arrogantes e todas as mágoas contidas em nosso coração em virtude do descumprimento dos acordos estabelecidos tacitamente entre as pessoas . “O lápis” e “Você não tem coragem!”, contos de sua obra, não deixam de ser uma boa ilustração para situações que implicam falta de respeito e reconhecimento de nossos valores morais.
O leitor que percorre as páginas de sua obra vai encontrar, certamente, muitas passagens que não são nada mais que uma descrição de situações imaginadas ou devaneadas em seu dia a dia. É natural que alguns leitores, ao entrarem em contato com a sua obra, venham experimentar algumas sensações de medo, arrepio pelo corpo afora ou outras similares. Esses tipos de sentimento são fáceis de se explicar, pois se dão em virtude da nossa ignorância, isto é, da falta de conhecimento ou de uma falta explicação clara para determinados fenômenos. O homem diante daquilo que ele não pode ou sabe explicar ou ainda não possui uma resposta clara para seus questionamentos se torna temeroso, frágil e, por conta disso, vai buscar uma resposta ou explicação, não bem fundamentada, através do sobrenatural. Todos os fenômenos da natureza, tais como o vento, os raios, a tempestade, o fogo etc., quando se manifestam com grande intensidade, o homem comum tende a vinculá-los a obra de Deus. Todas as forças incontroláveis, que são forças da natureza, é natural o homem comum ou o homem do povo atribuí-las às divindades. Assim foi no passado e ainda o é, mesmo que inconsciente, entre as pessoas não muito esclarecidas.
A falta de conhecimento leva o homem a se tornar temeroso, frágil, dócil, dependente etc. A exemplo disso, podemos observar que logo no início, em que apareceram algumas pessoas vitimadas pelo vírus HIV, quando ainda não havia uma explicação clara para esse novo tipo de doença, seus familiares evitavam falar seu nome – AIDS –, mas diziam que o paciente estava com aquela “coisa”. O temor faz com que as pessoas não tenham coragem de sequer mencionar determinadas palavras. Tudo isso – é claro – se dá em virtude de dois aspectos: o temor ao desconhecido, ou seja, àquilo que ainda não tem uma explicação clara, e, em segundo lugar, em consequência do poder mágico que as palavras possuem. Mencionar oralmente a coisa seria trazê-la presente.
Há um certo interesse das classes dominantes em manter esse estado de sentimento de fragilidade para melhor se manter no poder. A partir do início da segunda metade do século XIX, em uma palestra proferida pelo professor dr. Mitcheil, reitor da faculdade de Trinity e presidente honorário da Associação de Estudos Clássicos da Irlanda, à Conferencia Inaugural da Associação Clássica da Irlanda, no Centro da Indústria (University College Dublin), em 25 de março de 1993, discorre sobre a reviravolta da grade curricular, em virtude do desenvolvimento industrial nos anos 60 e a ênfase nos estudos técnicos e científicos, em detrimento das matérias vinculadas aos Estudos Clássicos. O vernáculo (a língua pátria) e todas as disciplinas ligadas aos saberes tecnológicos, tais como a matemática, a física e outras disciplinas correlatas são contemplados. Tudo isso para atender a “Uma nova preocupação com o crescimento econômico e o avanço tecnológico bem como uma nova noção de relevância e utilidade na educação focalizou o ensino os meios mais rápidos de aquisição de habilidades específicas para o mercado e questionou o valor de todos os estudos que tinham uma aura acadêmica  que produziriam mais uma elite cultural e intelectual que uma força de trabalho tecnicamente eficiente e tecnologicamente inovadora.” E justifica o professor, em sua palestra: "O grego e o latim não são meras disciplinas; eles representam todo um mundo e envolvem uma grande variedade de assuntos como linguagem, literatura, história e história política, social, militar e econômica e cultural, filosofia, religião, arte e arqueologia". Assim, o jovem que entrar em contato com este mundo de ideias não só vai ter condição de compreender melhor o mundo que o cerca, como também discernir, com maior facilidade, o falso do verdadeiro; vai estar muito mais aberto e apto para enfrentar e solucionar os novos desafios que o mundo de hoje exige. Mas, uma pessoa esclarecida se torna uma ameaça, um perigo para o sistema, para o poder dominante. É melhor mantê-la na ignorância, pois, como é sabido de todos, “gado assustado segue o chicote.”
Finalmente, queremos deixar como recomendação – para uma viagem através de um mundo não tangível ou não visível, o qual para algumas pessoas não existe, mas, ao contrário, diremos que se trata de um mundo que de fato existe e é absolutamente real, porém sua existência se efetiva e se dá somente em nossas mentes, em nossas cabeças – a leitura da obra do professor de Sociologia Fabiano Costa, já citada acima. Todo mundo tangível ou visível não deixa de ser uma real projeção do que existe em nossa mente. Assim, o mundo se torna múltiplo, pois ele varia em conformidade com as nossas mentes.


1 Se Deus, um unicamente, pode governar o Universo inteiro, tal como um verdadeiro tirano, por que eu, um ser humano, que sou sua imagem e semelhança, não posso governar, tiranicamente, um país? Certamente, essa seria uma  maneira bela, absolutamente convincente, para muitas pessoas justificarem a tirania e os sistemas ditatoriais.